Capitulo 3: Marcha Soldado

Anderson se levantou, e rapidamente tirou sua mãe inconsciente de dentro do carro, foi um acidente terrível, Maria estava a mais de 120Km/H e virou à contra mão para desviar de um carro batido e rodeado de infectados mas não imaginava que na via de acesso um carro tentava entrar na rodovia.

-Mãe acorda!

-Arrg... o que aconteceu?

-Você bateu em outro carro...

-Pff eu sou muito burra... parece que tudo isso me deixou burra, lenta idiota... Deus deve estar me punindo, só pode!

-Calma mãe, foi só a droga de um acidente, e nós estamos bem, não vai adiantar de nada ficar ai chorando que nem um emo... nós temos que seguir em frente, só isso.

-É acho que mais uma vez você tem razão filho... mas, mas e as pessoas do outro carro, como estão?

-Eu vou ver, mas fica ai, em um filme que vi aconteceu a mesma coisa mas quando iam socorrer as outras pessoas elas estavam infectadas e mataram a todos.

-Vai com cuidado meu filho, não quero perder você também.

-Eu estou seguro, estou com essa espingarda, qualquer coisa que me atacar vai perder a cabeça.

O garoto segurou firmemente a arma de seu avô, e lentamente saiu do carro com cara de mau e com pose de um super soldado, exatamente igual aos personagens de jogos de guerra que ele passava a madrugada inteira jogando. Ele deu alguns passos e foi surpreendido por um policial.

-Calma lá guri, abaixe esse arma.

-Eu.. eu achei que poderiam ser aqueles zumbis, me desculpe senhor policial.

-Vou te deixar livre dessa... pode ficar com arma, eu entendo a situação, sei que tu pode precisar dela.

-Muito obrigado... eu sou Anderson, e aquela senhora ali atrás é a minha mãe, Maria.

-Eu sou Marcos, e o médico caladão aqui é o Frederico.

Frederico interviu a conversa, e com certo medo da reação de Anderson e Maria e também com vergonha dos seus próprios atos, falou timidamente;

-Eu sinto muito muito, eu estava distraído e não vi vocês, eu realmente não queria causar tudo isso...

-Mas foi eu que vim aqui me desculpar, minha mãe entrou na contra mão e realmente não viu vocês.

-Então eu acho que erros foram cometidos dos dois lados...

-É, é, mas agora nosso carro tá todo fodido e não tem nenhuma condição de sair do lugar, vocês vão ter que nos tirar desse inferno.

-Sem nenhuma chance, o motor do nosso está todo retorcido, não vai sair do lugar do lugar nem com milagre.

-Droga...

De repente Maria, que estava quieta, começou a se agitar, correu para cima do carro batido e gritou;

-Um carro! Olha lá um carro! Vamos pedir carona!

-Calma mãe, vamos fazer ele parar primeiro, com cuidado... não quero que eu ou você seja atropelado...

Os quatro saíram correndo para o meio da estrada, gritando e sinalizando para que o Paliio azul marinho parasse, e por sorte do grupo ele parou no acostamento. Maria se aproximou da janela, e para sua surpresa, o motorista do veiculo era o pastor da igreja que ela costumava frequentar nos finais de semana.

-Pastor Sérgio, em nome de Deus, como é bom te ver!

-É muito bom ver você também irmã, e é muito bom saber que Deus poupou a vida de vocês.

-Podemos seguir viagem com você pastor?

-Mas é claro Maria, subam no carro irmãos.

-Ah, só uma pergunta, está indo para onde pastor?

-Graças a Deus, também estamos indo para lá!

-Então não percam tempo amigos, subam logo no carro!

A estrada estava escura e deserta, existiam alguns carros batidos e também alguns infectados, mas nada que pudesse interromper a passagem deles. Alguns Km se passaram, o pastor Sérgio dirigia com os olhos muito atentos na estrada, Maria rezava baixinho, e o resto do grupo dormia tranquilamente no banco de trás do carro... mas eles acordaram quando o carro foi freado bruscamente, existia uma forte luz alguns metros à frente do grupo.

-Olhem irmãos, os homens do exército montaram uma barreira na estrada. Eu vou lá falar com eles, fiquem no carro por que logo partiremos.

Com as mãos erguidas, o pastor se dirigiu lentamente em direção a barreira do exército, que era formada por dois M38A1 e um grupo de cinco soldados com o fuzil padrão FN- FAL, Sérgio dizia que todos estavam bem, e só estavam procurando um abrigo para ficar. Quando se aproximou um pouco mais do grupo de soldados todos abriram fogo contra o pobre homem, e um dos jeeps saiu atirando contra o grupo de sobrevivente.

-Mãe pega o volante!!!

-Ahh eles estão atirando por que?!!!!!

-Não interessa, apenas corre!!!

Marcos pegou a arma de Anderson, inclinou-se na janela traseira do carro e abriu fogo, mas parecia que nada fazia o carro militar parar.

-Nós não vamos conseguir!!

-Eu vou voltar para a cidade!!!

-Em direção da delegacia Maria, lá tem algumas armas, um pouco de comida e umas coisas que podemos usar para nos manter por um tempo.

Maria virou derrapando para dentro do centro de Itaqui, os pneus do carro estavam furados, o motor já estava largando uma fumaça escura, as janelas estavam quebradas e a lataria toda baleada, mas ele ainda andava...

-Ali Maria, dobre a esquerda, a delegacia fica ali.

-Já estou indo, mas essa joça parece que não quer mais andar... ainda bem que eles saíram da nossa cola.

-Todos estão bem?

Anderson, em um tom de medo e deprimência, falou lentamente;

-Eu acho que não estou, acho que vou desmai...

O jovem cai desacordado para fora do carro, Maria deu um grito, e Frederico ligeiramente fez um diagnóstico da situação, constatou que uma bala havia acertado o seu ombro, e provavelmente desviado em algum osso, fazendo com que a mesma permanecesse no corpo do garoto.

-Filho!!! meu Deus faça alguma coisa!!!

-Rápido Marcos, coloque ele encima daquela mesa na recepção!

Carregado com cuidado pelos dois homens, Anderson foi colocado encima da velha mesa da recepção da delegacia.

-Marcos, você vai ter que voltar no hospital e pegar alguns medicamentos...

-Mas nem fodendo que volto lá!

-Como não volta lá?1!! você vai deixar ele morrer?!!

-SEU MONSTRO NÃO DEIXE MEU FILINHO MORRER!!

-Calma senhora, eu sou médico e eu mesmo volto ao hospital!
-Você faria isso mesmo?!! muito obrigada.

-Não é nada não senhora, meu dever é salvar vidas, e farei isso custe o que custar... e você fique ai seu policialzinho de merda.

Frederico deu as costas, sem ouvir qualquer palpite, ele estava morrendo de medo e também pensando se aquela decisão era correta... ele apenas prosseguiu.

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