Capitulo 2: Mão Amiga

   Frederico fechou os olhos esperando o seu fim, mas o barulho de um estouro muito alto fez com que ele rapidamente abrisse-os novamente. Seu jaleco branco estava manchado de sangue, e o infectado, que à segundos atrás parecia que iria acabar com sua vida, estava caído ao seu lado, com um buraco profundo na nuca, obviamente feito por uma arma. Antes de ele pensar ou falar algo, o atirador estendeu-lhe a mão.

-Você está bem?

-Tirando o fato do sangue em minha roupa, e o cara que você matou caído ao meu lado, eu acho que estou sim.

-Cara? Aquilo é um monstro, um zumbi, como nos filmes de terror.

-Aquilo é uma pessoa sim, uma pessoa infectada por essa doença que deixa todos loucos... mas não tive tempo de descobrir se isso é causado por algum tipo de bactéria, vírus ou sei lá o que.

-Eu não quero saber dessas suas explicações cientificas chatas, só sei que se você não mata eles, eles te matam.

-É, você tem razão... mas, afinal, quem é você?

-Sou o sargento Silveira, mas pode me chamar pelo meu primeiro nome, que é Marcos... recebi um chamado que estava acontecendo um tumulto aqui, mas quando cheguei me deparei com esse banho de sangue. Afinal, quem é você?

-Frederico, médico, e uma pessoa muito, muito assustada.

-Eu também estou com um pouco de medo, mas temos que tentar sair daqui o mais rápido possível, ou preteia o fio da gateada e nós estamos ralados.

-Suponho que você tenha um plano já que é policial e está armado...

-Tenho ainda seis balas. No final do beco têm dois desses zumbis, posso dar conta deles. Após isso, a gente entra na rua principal e corre até a esquina, onde esta a minha viatura. Vamos lá Fred, apenas me siga!

Os dois correram pelo sujo e pouco iluminado beco atrás do hospital. Marcos mirou na cabeça dos infectados, e com dois tiros certeiros abateu eles. Ao sair dali e virar em direção a rua principal, a visão não foi nada animadora, o lugar estava tomado de zumbis, e a viatura cercada por cerca de vinte ou vinte e cinco deles. Sem nenhum plano em mente, o desespero atingiu o Sargento, que logo se lamentou;

-Não! E agora... meu plano não vai dar certo!

-Calma Marcos, eu tenho um plano B.

-E qual seria?

-Você está vendo o estacionamento no outro lado da rua? Meu carro está lá, e eu estou com a chave aqui... só tem cinco pessoas doentes no caminho, podemos chegar do outro lado!

-Hum... eu atiro nos quatro que estão na frente do portão, você derruba o que está mais perto, fechado?

-Okay.

Como em um filme de ação, Frederico saiu correndo e pulou, acertando as costas do infectado com os dois pés, enquanto isso Marcos gastou todas suas balas no restante da manada... mas algo aconteceu... algo ruim, o barulho dos tiros atraiu todos os zumbis da rua, obrigando os dois a correram rapidamente para dentro do estacionamento.

-Diabos, qual é o teu carro cara!

-O J3 Turin cinza ali no fundo!

Quase que alcançados pelo grupo desesperado de zumbis, os dois pularam para dentro do espaçoso carro chines, e em alta velocidade atropelaram os infectados. Algumas ruas, e alguns atropelados e eles já estavam perto da rodovia RS-472.

-Para onde vamos Frederico?

-Vamos para Porto Alegre, lá eles vão ter respostas para tudo isso... e minha família toda está cá.

-É exatamente para onde quero ir, pois posso pegar um ônibus para Caxias e ficar com meus pais, bem longe desse pesadelo.

-O dia passou tão rápido, parece que faz alguns minutos que cheguei para trabalhar, e todo aquele inferno começou, e agora já é noite, você não acha que...

-Caralho!! Olha o carro Frederico!!!

...

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