História

Prólogo: Ensaios sobre pesadelos



Aquele simples e lindo pôr do sol poderia ser apenas mais um na vida de qualquer pessoa, mas o que poucos sabiam era que aquele seria o ultimo de suas vidas. Algo não corria como de costume, um peso estranho parecia se espalhar pelo ar. Lentamente e sorrateiramente estava a invadir o pulmão das pobres almas que ao cantar do galo se dirigiam a mais um chato e cansativo dia de trabalho.

Os enfermeiros do pequeno hospital de Itaqui, cidade com pouco mais de trinta e cinco mil habitantes, localizada no interior do estado Brasileiro do Rio Grande do Sul, estavam preocupados, não passará das seis horas da manhã e a pequena sala de espera estava completamente tomada por pessoas enfermas, tal fato passaria totalmente despercebido afinal o sistema de saúde Brasileiro é extremamente precário, mas o que chamava a atenção era que todos os pacientes apresentavam os mesmos sintomas, febre muito alta, dor de cabeça e nos olhos e também sangramento nasal. Aos poucos toda a rua onde era localizado o minúsculo hospital estava tomada por pessoas doentes, e o temor de todos começou a se tornar realidade, os primeiros pacientes começaram a morrer, e nada que os médicos tentaram fez efeito, nem se quer pedir ajuda a cidade vizinha, pois todas as linhas de telefone e o sinal de internet estavam fora de serviço.

Frederico, um jovem médico, formado na capital, com notas exemplares e provavelmente um futuro brilhante pela frente, lamentava fortemente a sua escolha de ter ido para um hospital pequeno e no interior ao invés te ter tentado a sorte em uma grande cidade, enquanto corria de uma das coisas mais inexplicáveis e assustadoras que tinha visto na vida. Gritos e barulhos de coisas sendo quebradas ou arremessadas eram ouvidos por todos os lados, Frederico estava exausto de tanto correr, e após muitas câimbras e dores em quase todas as partes do corpo ele despencou no chão, toda sua vida passou em frente aos olhos, sua família, seus poucos amigos e até mesmo seu cachorro labrador, que morreu quando ele era apenas uma criança, certamente aquele era o seu fim, então aceitando a morte, apenas fechou os seus olhos e aceitou o destino.



Capitulo 1: De horas de diversão à um tormento sem fim



Anderson, um mimado filho único de mãe solteira, foi acordado pelos berros de sua progenitora, que estava nervosa e um pouco descontrolada;

-Acorde pelo amor de deus!

-Mas.. Mas que diabos esta acontecendo?

-Estão todos malucos, eles estão matando uns aos outros, com dentadas e arranhões, como animais selvagens!

-Tá, eles quem?

-Todos que pegaram a doença.

-Que doença? Do que você esta falando?

-Pare de fazer perguntas, não há tempo para isso, apenas arrume suas coisas pois vamos para a casa da sua avó.

O jovem apenas aceitou a situação, encheu sua mochila com suas roupas e aparelhos eletrônicos, que diga-se de passagem, eram extremamente desnecessários naquele momento. Os dois se dirigiram para a garagem, onde a velha camionete estava esperando, já aprontada com todas as bagagens importantes.

Logo que saíram de casa, se depararam com uma situação horrível, as ruas estavam tomadas pelo caos, a insanidade havia atingido muitas pessoas, e elas lutavam entre si pela carne dos mais fracos, e quando viram dona Maria e Anderson correram logo em sua direção, como animais famintos. Sem pensar duas vezes a senhora de meia idade acelerou o carro e atropelou um ou dois daquelas “pessoas”.

-Meu deus mãe, você está atropelando as pessoas!

-Pessoas? Eles não são pessoa, aquilo é só um corpo dominado pela insanidade, a alma deles já deve estar descansando em paz.

-Então são como... errg... zumbis?

-É são exatamente isso, mas eles são reais, e a carne que querem comer é a nossa.

Anderson estava muito confuso com a situação , ele adorava filmes e jogos de zumbis e também monstros e coisas sobrenaturais, mas aquilo era muito diferente, o sangue que estava jorrando era real, eram amigos, vizinhos, pessoas com sonhos assim como ele. A noite ia caindo, e cada vez mais a estrada se tornava sombria e assustadora, mas não tardará e eles já estavam em frente ao velho e enferrujado portão da chácara da mãe de dona Maria.

-Quem esta ai, identifique-se!

-Sou eu, Maria, sua filha!

-Entre logo, não deixe eles entrarem!

Rapidamente eles entraram na casa, e dentro da residência a idosa se dirigiu até Anderson e falou;

-Garoto, pegue logo essa arma, seu falecido avô usava ela para caçar animais, e agora você vai usar para caçar esses comunistas.

-O que? Que comunistas?

-Esses Russos cachorros, fizeram nós acreditar que tinha acabado e agora voltam com essas armas biológicas, dominando nossa mente e nos fazendo se alistar ao seu exercito de comedores de criancinhas.

-Aham velha senta la, e me dá essa arma aqui.

Maria interviu a conversa dos dois, e logo perguntou;

-Anderson, meu filho, o que vamos fazer agora?

-Não sei, só não podemos ir para onde o exército está mandando.

-Mas por que?

-Você nunca viu filmes de zumbi? Sempre onde o exército manda ir é onde tem mais infectados, até por que pessoas doentes vão para lá em busca de curas milagrosas.

-Faz sentido mas...

Antes que Maria terminasse a frase, um grupo de infectados quebrou a janela dos fundo da casa, onde sua mãe estava sentada, e agaram a pobre senhora pelo pescoço;

-AAAAHHHH!

Anderson atirou em todos os zumbis, deixando apenas uma bala na arma, porém com um triste destino, a cabeça de sua avó. Sua mãe estava chorando muito, mas sabia que só existia uma solução;

-Oh deus por que você mamãezinha? Vamos Anderson... acabe com o sofrimento dela por favor!

Antes de puxar o gatilho, varias memórias passaram aos olhos do jovem rapaz, sua vó levando ele ao circo, vestindo-o para sua festa de um ano, e outras coisas do tipo. Ele fechou os olhos encharcados de lagrimas e seu dedo deslizou o gatilho, fazendo com que a bala entrasse no crânio da pobre velinha e saísse do outro lado, sujando toda a parede.

Aquele realmente não era um lugar seguro, os dois teriam que sair dali o mais rápido possível, Maria sugeriu ir para a cidade mais próxima, Uruguaiana, onde o exercito havia montado uma base de refugiados, mas Anderson era esperto, e sabia que muitos infectados tinham ido para la em busca de uma cura ou algo do tipo. Outra alternativa era procurar por uma pista de aviões próxima, e com a ajuda de um piloto fugir, mas se nenhum estivesse lá seria morte certa. Após alguns minutos de discussão, os dois resolveram seguir para a capital, a linda e gloriosa Porto Alegre, com mais de um milhão e meio de habitantes... um milhão e meio de zumbis? Não era hora de se pensar nisso.


Capitulo 2: Mão Amiga


Frederico fechou os olhos esperando o seu fim, mas o barulho de um estouro muito alto fez com que ele rapidamente abrisse-os novamente. Seu jaleco branco estava manchado de sangue, e o infectado, que à segundos atrás parecia que iria acabar com sua vida, estava caído ao seu lado, com um buraco profundo na nuca, obviamente feito por uma arma. Antes de ele pensar ou falar algo, o atirador estendeu-lhe a mão.

-Você está bem?

-Tirando o fato do sangue em minha roupa, e o cara que você matou caído ao meu lado, eu acho que estou sim.

-Cara? Aquilo é um monstro, um zumbi, como nos filmes de terror.

-Aquilo é uma pessoa sim, uma pessoa infectada por essa doença que deixa todos loucos... mas não tive tempo de descobrir se isso é causado por algum tipo de bactéria, vírus ou sei lá o que.

-Eu não quero saber dessas suas explicações cientificas chatas, só sei que se você não mata eles, eles te matam.

-É, você tem razão... mas, afinal, quem é você?

-Sou o sargento Silveira, mas pode me chamar pelo meu primeiro nome, que é Marcos... recebi um chamado que estava acontecendo um tumulto aqui, mas quando cheguei me deparei com esse banho de sangue. Afinal, quem é você?

-Frederico, médico, e uma pessoa muito, muito assustada.

-Eu também estou com um pouco de medo, mas temos que tentar sair daqui o mais rápido possível, ou preteia o fio da gateada e nós estamos ralados.

-Suponho que você tenha um plano já que é policial e está armado...

-Tenho ainda seis balas. No final do beco têm dois desses zumbis, posso dar conta deles. Após isso, a gente entra na rua principal e corre até a esquina, onde esta a minha viatura. Vamos lá Fred, apenas me siga!

Os dois correram pelo sujo e pouco iluminado beco atrás do hospital. Marcos mirou na cabeça dos infectados, e com dois tiros certeiros abateu eles. Ao sair dali e virar em direção a rua principal, a visão não foi nada animadora, o lugar estava tomado de zumbis, e a viatura cercada por cerca de vinte ou vinte e cinco deles. Sem nenhum plano em mente, o desespero atingiu o Sargento, que logo se lamentou;

-Não! E agora... meu plano não vai dar certo!

-Calma Marcos, eu tenho um plano B.

-E qual seria?

-Você está vendo o estacionamento no outro lado da rua? Meu carro está lá, e eu estou com a chave aqui... só tem cinco pessoas doentes no caminho, podemos chegar do outro lado!

-Hum... eu atiro nos quatro que estão na frente do portão, você derruba o que está mais perto, fechado?

-Okay.

Como em um filme de ação, Frederico saiu correndo e pulou, acertando as costas do infectado com os dois pés, enquanto isso Marcos gastou todas suas balas no restante da manada... mas algo aconteceu... algo ruim, o barulho dos tiros atraiu todos os zumbis da rua, obrigando os dois a correram rapidamente para dentro do estacionamento.

-Diabos, qual é o teu carro cara!

-O J3 Turin cinza ali no fundo!

Quase que alcançados pelo grupo desesperado de zumbis, os dois pularam para dentro do espaçoso carro chines, e em alta velocidade atropelaram os infectados. Algumas ruas, e alguns atropelados e eles já estavam perto da rodovia RS-472.

-Para onde vamos Frederico?

-Vamos para Porto Alegre, lá eles vão ter respostas para tudo isso... e minha família toda está cá.

-É exatamente para onde quero ir, pois posso pegar um ônibus para Caxias e ficar com meus pais, bem longe desse pesadelo.

-O dia passou tão rápido, parece que faz alguns minutos que cheguei para trabalhar, e todo aquele inferno começou, e agora já é noite, você não acha que...

-Caralho!! Olha o carro Frederico!!!

...


Capitulo 3: Marcha Soldado


Anderson se levantou, e rapidamente tirou sua mãe inconsciente de dentro do carro, foi um acidente terrível, Maria estava a mais de 120Km/H e virou à contra mão para desviar de um carro batido e rodeado de infectados mas não imaginava que na via de acesso um carro tentava entrar na rodovia.

-Mãe acorda!

-Arrg... o que aconteceu?

-Você bateu em outro carro...

-Pff eu sou muito burra... parece que tudo isso me deixou burra, lenta idiota... deus deve estar me punindo, só pode!

-Calma mãe, foi só a droga de um acidente, e nós estamos bem, não vai adiantar de nada ficar ai chorando que nem um emo... nós temos que seguir em frente, só isso.

-É acho que mais uma vez você tem razão filho... mas, mas e as pessoas do outro carro, como estão?

-Eu vou ver, mas fica ai, em um filme que vi aconteceu a mesma coisa mas quando iam socorrer as outras pessoas elas estavam infectadas e mataram a todos.

-Vai com cuidado meu filho, não quero perder você também.

-Eu estou seguro, estou com essa espingarda, qualquer coisa que me atacar vai perder a cabeça.

O garoto segurou firmemente a arma de seu avô, e lentamente saiu do carro com cara de mau e com pose de um supersoldado, exatamente igual aos personagens de jogos de guerra que ele passava a madrugada inteira jogando. Ele deu alguns passos e foi surpreendido por um policial.

-Calma lá guri, abaixe esse arma.

-Eu.. eu achei que poderiam ser aqueles zumbis, me desculpe senhor policial.

-Vou te deixar livre dessa... pode ficar com arma, eu entendo a situação, sei que tu pode precisar dela.

-Muito obrigado... eu sou Anderson, e aquela senhora ali atrás é a minha mãe, Maria.

-Eu sou Marcos, e o médico caladão aqui é o Frederico.

Frederico interviu a conversa, e com certo medo da reação de Anderson e Maria e também com vergonha dos seus próprios atos, falou timidamente;

-Eu sinto muito muito, eu estava distraído e não vi vocês, eu realmente não queria causar tudo isso...

-Mas foi eu que vim aqui me desculpar, minha mãe entrou na contra mão e realmente não viu vocês.

-Então eu acho que erros foram cometidos dos dois lados...

-É, é, mas agora nosso carro tá todo fodido e não tem nenhuma condição de sair do lugar, vocês vão ter que nos tirar desse inferno.

-Sem nenhuma chance, o motor do nosso está todo retorcido, não vai sair do lugar do lugar nem com milagre.

-Droga...

De repente Maria, que estava quieta, começou a se agitar, correu para cima do carro batido e gritou;

-Um carro! Olha lá um carro! Vamos pedir carona!

-Calma mãe, vamos fazer ele parar primeiro, com cuidado... não quero que eu ou você seja atropelado...

Os quatro saíram correndo para o meio da estrada, gritando e sinalizando para que o Paliio azul marinho parasse, e por sorte do grupo ele parou no acostamento. Maria se aproximou da janela, e para sua surpresa, o motorista do veiculo era o pastor da igreja que ela costumava frequentar nos finais de semana.

-Pastor Sérgio, em nome de Deus, como é bom te ver!

-É muito bom ver você também irmã, e é muito bom saber que Deus poupou a vida de vocês.

-Podemos seguir viagem com você pastor?

-Mas é claro Maria, subam no carro irmãos.

-Ah, só uma pergunta, está indo para onde pastor?

-Graças a deus, também estamos indo para lá!

-Então não percam tempo amigos, subam logo no carro!

A estrada estava escura e deserta, existiam alguns carros batidos e também alguns infectados, mas nada que pudesse interromper a passagem deles. Alguns Km se passaram, o pastor Sérgio dirigia com os olhos muito atentos na estrada, Maria rezava baixinho, e o resto do grupo dormia tranquilamente no banco de trás do carro... mas eles acordaram quando o carro foi freado bruscamente, existia uma forte luz alguns metros à frente do grupo.

-Olhem irmãos, os homens do exército montaram uma barreira na estrada. Eu vou lá falar com eles, fiquem no carro por que logo partiremos.

Com as mãos erguidas, o pastor se dirigiu lentamente em direção a barreira do exército, que era formada por dois M38A1 e um grupo de cinco soldados com o fuzil padrão FN- FAL, Sérgio dizia que todos estavam bem, e só estavam procurando um abrigo para ficar. Quando se aproximou um pouco mais do grupo de soldados todos abriram fogo contra o pobre homem, e um dos jeeps saiu atirando contra o grupo de sobrevivente.

-Mãe pega o volante!!!

-Ahh eles estão atirando por que?!!!!!

-Não interessa, apenas corre!!!

Marcos pegou a arma de Anderson, inclinou-se na janela traseira do carro e abriu fogo, mas parecia que nada fazia o carro militar parar.

-Nós não vamos conseguir!!

-Eu vou voltar para a cidade!!!

-Em direção da delegacia Maria, lá tem algumas armas, um pouco de comida e umas coisas que podemos usar para nos manter por um tempo.

Maria virou derrapando para dentro do centro de Itaqui, os pneus do carro estavam furados, o motor já estava largando uma fumaça escura, as janelas estavam quebradas e a lataria toda baleada, mas ele ainda andava...

-Ali Maria, dobre a esquerda, a delegacia fica ali.

-Já estou indo, mas essa joça parece que não quer mais andar... ainda bem que eles saíram da nossa cola.

-Todos estão bem?

Anderson, em um tom de medo e deprimência, falou lentamente;

-Eu acho que não estou, acho que vou desmai...

O jovem cai desacordado para fora do carro, Maria deu um grito, e Frederico ligeiramente fez um diagnóstico da situação, constatou que uma bala havia acertado o seu ombro, e provavelmente desviado em algum osso, fazendo com que a mesma permanecesse no corpo do garoto.

-Filho!!! meu deus faça alguma coisa!!!

-Rápido Marcos, coloque ele encima daquela mesa na recepção!

Carregado com cuidado pelos dois homens, Anderson foi colocado encima da velha mesa da recepção da delegacia.

-Marcos, você vai ter que voltar no hospital e pegar alguns medicamentos...

-Mas nem fodendo que volto lá!

-Como não volta lá?1!! você vai deixar ele morrer?!!

-SEU MONSTRO NÃO DEIXE MEU FILINHO MORRER!!

-Calma senhora, eu sou médico e eu mesmo volto ao hospital!
-Você faria isso mesmo?!! muito obrigada.

-Não é nada não senhora, meu dever é salvar vidas, e farei isso custe o que custar... e você fique ai seu policialzinho de merda.

Frederico deu as costas, sem ouvir qualquer palpite, ele estava morrendo de medo e também pensando se aquela decisão era correta... ele apenas proceguiu.


Capitulo 4: Jogos de Zumbi: Mate ou morra


A rua em frente ao hospital não estava mais tão tomada por infectados como quando Frederico e Marcos partiram de lá, e foi por isso que Frederico respirou fundo e saiu correndo rumo a porta na lateral do prédio, que dava direto para uma escadaria de emergência.

A situação dentro do hospital não era das melhores, haviam corpos mutilados por todos os lados e também vários infectados rondando as salas do local. Para pegar tudo o que seria necessário, e também possível de carregar na mão, Frederico teria que passar por vários locais diferente... ele estava sem arma e sabia que com a falta de algo para se defender seria quase impossível continuar vivo.

De alguma maneira, um grupo de zumbis parecia ter sentido a presença do jovem médico no estreito corredor do terceiro piso, eles se dirigiram como um bando de cachorros em busca de um prato de ração para cima de Frederico, que como em um filme ninja virou e pegou uma bengala que estava jogada no chão para acertar os famintos... foram três ou quatro pauladas em cada um, e cada vez mais ele pegava o jeito, ele se sentia o máximo, se sentia o grande matador, e não conseguia parar de bater nos infectados mesmo quando os mesmos já estava atirados sem vida no chão.

-HAHAHA QUEM MANDA AQUI ABERRAÇÕES!! PODEM VIR, PODEM VIR!

O desejo de matar tomava conta do seu corpo, e como em um jogo violento de vídeo game, ele tentava cada vez matar mais e mais, como se somasse uma pontuação no final de tudo. Ele estava louco, estava falando sozinho... todos os itens necessários para ajudar Anderson já estavam na sua mochila, mas mesmo assim ele continuava andando pelos quartos procurando mais infectados para bater até a morte. A atitude poderia muito bem fazer com que Frederico perdesse a vida, e ele só foi perceber o que estava fazendo após gritar de prazer matando mais e mais... esse tempo foi o suficiente para que todo o piso inferior do hospital ficasse tomado, impedindo a sua saída.

O médico correu para todos os lados, o desespero tomou conta de sua mente, mas realmente todas as saídas estavam obstruídas, e foi ai que ele teve uma brilhante ideia... ou não tão brilhante assim. Ele correu em direção à  janela no quarto 325, ele se jogou, esperando um pouso lindo encima de um caminhão de travesseiros, mas o que realmente aconteceu foi que ele caiu em uma lixeira de restos de comida da cantina do hospital. Naquele momento não havia tempo para pensar nos esfolados no braço e ao forte cheiro de coisa podre no corpo, os infectados estavam indo para sua direção rapidamente, o único lugar para ir era um carro de policia, estacionado a alguns metros dali e com a porta aberta... como em uma corrida de velocidade, Frederico disparou para dentro do carro e se trancou lá.

- Eu sei que tentei não acreditar no senhor meu Deus, mas se o senhor existe esse é o momento para ajudar!

Ao dizer isso, como em um milagre, a luz da lampada do poste da rua se chocou ao reflexivo pingente na forma de um Hylian Shield de The Legend of Zelda que era usada por um dos zumbis que tentavam quebrar a janela do carro., e fez assim visível as chaves do carro sobre o banco traseiro.

- Aew eu sabia que o senhor existia! hahaha!

Com isso Frederico ligou a sirene do carro e partiu para cima de todos os infectados, atropelando todos aqueles que ficassem ao seu caminho. Não tardara muito e ele já estava na delegacia, onde correu para dentro para fazer uma operação em Anderson o mais rápido possível.

...


Capitulo 5: O quinto sobrevivente


- Já fazem dois dias desde que tudo isso começou, já fazem dois dias que tive que matar minha família e amigos por causa dessa estranha doença que deixou todos loucos, não sei quanto tempo posso aguentar, não sei se existe mais alguém como eu ai ouvindo essa mensagem... mas se existe eu peço que continuem lutando, nós temos que superar essa.

Juliano pegou seu fuzil FN-FAL na mão e saiu do prédio da radio local da cidade, ele não sabia se existiam outros sobreviventes, mas estava disposto a se unir ao primeiro grupo confiável que encontrasse. Já era dia, mas diferentemente de jogos e filmes, a atividade dos infectados continuava constante, eles tomavam conta das ruas o que fazia com que Juliano tivesse que gastar varias de suas balas, mas isso não era problema para ele, pois sabia que seus dois anos de lutas marciais tinham le dado um bom treinamento para matar com as mãos.

Uma rua deserta, sem ninguém, sem infectados e sem corpos... um silencio absolutos, Juliano parou e pensou, mas resolveu seguir. Alguns metros adiantes ele foi surpreendido por um grito e uma rajada de balas.

- Um zumbi, mata pai!! Mata!!

Juliano girou no chão rapidamente e disparou apenas um tiro contra aquele que estava confundindo ele com um infectado, a bala passou por dentro do carro parado enfrente ao pequeno prédio e entrou exatamente aonde estavam os atiradores... mas não, não acertou o atirador, ela acertou o bico do rifle, fazendo com que a pessoa por trás do mesmo ficasse desarmada.

- Não atire por favor eu não queria atirar em você eu achava que era um zumbi!!!

- Não se preocupe senhor, não vou fazer isso com o senhor... alias, é muito bom saber que existem mais sobreviventes além de mim.

- Não fique ai na rua, corra rápido para cá!

Juliano correu para dentro do prédio, onde encontrou a Emanuel e a sua filha Carol, um senhor de uns cinquenta e poucos anos de idade e uma garota de uns quinze.

- Desculpe senhor, não queria ter mandado meu pai atirar em você, eu achei que eram aqueles zumbis loucos novamente.

- Sem problemas garota, mas dá próxima vez tenha certeza de que o que você está mandando o seu...

- pai.

- ...pai atirar é realmente um zumbi.

Juliano ficou hospedado na casa de Emanuel por algumas horas, tomou um belo banho, encheu sua barriga e voltou para fazer uma proposta ao dono da residencia.

- Cara, por que vocês ainda estão aqui?

- Essa é nossa casa, nós sabemos que alguém vai fazer alguma coisa e isso tudo vai acabar bem.

- Acabar bem? Estão quase todos mortos, e quem tenta fugir o exercito mata, pois provavelmente isso é alguma merda deles que não querem que se espalhe na mídia.

-Não importa, ficaremos aqui!

- Mas você sabe que isso pode significar a morte de você e a sua filha também né?

- Nós ficaremos bem... se você quer ir embora pegue o carro do meu vizinho que morreu, aqui estão as chaves, vá!

- Eu vou, mas saibam que vocês estão correndo muito perigo aqui!

Juliano sabia que provavelmente o exercito fosse fazer uma limpa na cidade e não deixar ninguém vivo, ele era soldado e recebeu ordem para isso, mas após constatarem que ele ficou muito tempo tentando ajudar infectados ele também poderia estar infectados, então ele era também um alvo.

Enquanto se dirigia para qualquer lugar em busca de alguma maneira de escapar, o destemido militar escutou um baro de tiros, vindos de onde estava a delegacia da cidade, ele acelerou fundo e chegou onde um grupo de zumbis tentavam invadir o local. Juliano sacou seu fuzil do banco de trás do carro e disparou até matar todos, e após acabar com as ameaças foi recebido pelo grupo de sobreviventes.

- Muito obrigado por ajudar, eu sou Marcos, o jovem ferido ali é Anderson, a senhora junto a ele é a Maria e o médico sentado ali no chão é Frederico.

- Nossa um grupo de sobrevivente bem grande... e eu que achava que só estava eu nessa cidade infernal.

- Você não quer comer algo?

- Não obrigado, eu já comi, o que eu quero é sair daqui, fugir, mas o exercito está trancando as rodovias e tentando matar quem passa.

- Nós sabemos, fomos atacados, mas por que diabos estão fazendo isso?

- Eu não sei direito, quando eu estava na linha de frente apenas recebi ordens para matar, mas eu acho que eles estão envolvidos nisso e não querem que ninguém saiba.

- Mas e a mídia, não esta cobrindo esse “evento”?

- Não, eles etão impedidos de chegar perto daqui, qualquer um que tentar se aproximar será morto.

No fundo da delegacia Frederico deu um grito, com tom de surpresa e uma certa alegria, Marcos rapidamente correu para ver o que era, Juliano ficou junto a Maria e Anderson conversando e ficando por dentro da situação do grupo.

- Galinha, me diga, para onde esse túnel aqui leva?

- Leva para a delegacia de Uruguaiana.

- Mas por que você não nos falou da existência desse lugar?

- Imagina se alguém teve a ideia de entrar ai? Imagina se estiverem infectados... e nós nem sabemos com está a situação lá!

- Ninguém tentou fugir por aqui, todos tentaram ficar nas suas casas ou sair pelas rodovias, é impossível alguém ter saído por aqui, até por que a passagem estava trancado com esse cadeado que eu quebrei.

- Até que faz sentido, como eu não pensei nisso antes...

- Por que você é burro igual uma anta, agora corra lá e mande todos se aprontarem, pois vamos para uruguaiana, e será uma caminhada bem longa.

Marcos deu a noticia, todos se arrumaram, até Anderson saiu mancando feliz em direção à passagem, mas Juliano ficou preocupado.

- É realmente seguro partir por esse lugar?

- Claro que é, o lugar está vazio.

- Mas e Uruguaiana vocês sabem como está agora? A ultima vez que vi estava igual aqui, mas o exercito iria fazer uma limpa, não sei no que deu.

- Olha cara, ir para lá é melhor do que ficar aqui, no caminho nós bolamos algum plano, já que vai demorar até chegarmos lá.

- Tá, só garanta que todas as armas tem munição, e que temos comida e remédios para seguir em frente.

- Já checamos tudo, está tudo ok. Agora entre no buraco e vamos.

O grupo seguiu para dentro do túnel, iluminando o caminha apenas com a lanterna de Marcos, mas já era bom o suficiente para ver para onde estavam indo.


Capitulo 6: A escuridão durante o túnel


O grupo prosseguia sua caminhada rumo a Uruguaiana naquele escuro e úmido túnel, a única luz era transmitida por uma pequena lanterna de LED que Marcos segurava. Maria estava louca de curiosidade sobre aquele peculiar local, e qual o motivo da sua construção.

-Afinal Marcos, qual o motivo da construção desse lugar e para que ele serve?

-Eu não sei, esse túnel foi construído muito antes das delegacias serem colocadas nas suas pontas, provavelmente os primeiros colonizadores tinham algum tipo de plano para eles.

-E por que colocaram as delegacias nas suas pontas?

-Deve ser alguma rota de escape, assim tipo como estamos fazendo... mas antes disso nós costumávamos descer aqui e fazer corridas de moto com os policiais de uruguaiana, era bem tri.

-O que?? como vocês passavam motos por aquele buraquinho minusculo de lá?

-Hahaha nem era nós que passávamos eram os policias de lá, por que do outro lado o buraco é bem maior.

-Uma outra perguntas... estamos quase no meio do caminho do túnel, tem algum lugar para descansar, já estou cansada...?

-Têm, já estamos quase chegando na casa do meio, lá podemos parar e descansar um pouquinho.

-Casa do meio?

-São algumas salas no meio do túnel, tem umas mesas e camas lá... enfim, ai está a casa do meio.

Então os sobreviventes chegaram na casa do meio, que na verdade eram duas portas no canto direito do túnel que davam direto para uma sala, onde estava uma mesa velha e duas camas igualmente antigas, o lugar estava empoeirado e sujo, existiam latas e garrafas de cerveja espalhadas. Anderson e Maria sentaram, cada um em uma cama, Frederico abriu sua mochila encima da mesa e colocou alguns salgadinhos e garrafinhas de água, para o grupo se alimentar, enquanto Marcos estava tomando uma latinha de cerveja que havia levado.

-Marcos, onde está aquele cara, o Juliano?

-Não sei Frederico, eu vi ele sair ali para o túnel, mas nem imagino o que esteja fazendo.

-Irei ali ver se está tudo bem com ele,

Frederico saiu pela porta, e quando sua lanterna iluminou Juliano ele rapidamente escondeu alguma coisa que estava em seu bolço.

-O que é isso ai cara?

-Nada não... é, é apenas minhas anotações...

-Como pode estar lendo ou escrevendo algo no escuro?
-Não estou lendo nem escrevendo, eu gravo um diário de voz pelo meu celular.

-hum interessante... mas você não quer entrar lá e comer algo?

-Não, não estou com fome, e também não podemos perder tempo aqui, mandem todos terminarem de fazer o que estão fazendo pois vamos partir.

-De acordo, eles já estavam falando em ir embora mesmo, o ar que chega aqui não é muito bom, e eu estou começando a me atacar da asma, é melhor irmos embora mesmo.

Todos aprontaram suas coisas, Maria exitou um pouco em sair, ela queria descansar, mas com um pouco de conversa foi convencida a ir. Eles seguiram sua caminhada por mais alguns km, em direção ao seu destino, a Delegacia de Uruguaiana.

| Capitulo 7: Uruguaiana


Marcos abriu a grande porta que dava direto na suja garagem da delegacia de Uruguaiana. O lugar estava deserto sem nenhum carro e se3m sinal de zumbis.

- Vem pessoal, a barra esta limpa!

- Tem certeza cara?

- Afirmativo Juliano, no momento que a porra ficou seria os paspalhos daqui largaram fora.

O grupo saiu lentamente da delegacia, Marcos e Juliano seguravam suas armas prontos para o combate mas o que encontraram foi completamente diferente do esperado, as ruas estavam desertas, cheias de sangue mas sem nenhum sinal de vida... ou alguma coisa parecida com isso. Maria ficou preocupada com a estranha situação.

- Está tudo muito estranho, aonde estão os infectados, o que está acontecendo aqui?

- Muita cautela, algo não me parece agradável aqui...

- O que foi Juliano o que você esta sentindo?

-xiii escute...

A calmaria foi quebrada pelo barulho monstruoso do helicóptero militar atirando contra o grupo, eles correram o mais rápido que conseguiram, enquanto uma chuva de balas era atirada contra eles.

- Corram!! todos para dentro daquele prédio!!!

Como em filmes de ação eles pularam para o escuro prédio abandonado no lado direito da rua, estranhamento o helicóptero tomou a outra direção e foi embora. Juliano checou se todos estavam bem, e em silencio mandou ninguém se mexer, pois ele iria checar o local.

Segurando a sua arma, Juliano foi olhando sala por sala do prédio, até chegar na porta da escada no final do corredor. Ele foi abrindo lentamente a enferrujada porta de metal quando foi surpreendido por um grupo de zumbis, que jogaram ele no chão e partiram famintos para comer sua carne.

- Ahhh merda!!!

- Juliano rola pro lado!!

Dito isso Juliano rolou para seu lado direito e um misterioso homem ativou o lança-chamas que portava, fazendo com que os zumbis virassem churrasquinho.
- Se não fosse eu você estava morto, haha, parece até um recruta.

- Maldito, pensei que nunca diria isso mas é muito bom te ver.

-E eu sou foda mesmo... mas como anda a missão?

-Ainda não descobri nada, mas seguirei investigando.

-Faça isso, mas tome mais cuidado da próxima vez, não quero que as coisas sigam fora do plano.

- Afirmativo, mas sai daqui rápido antes que eles cheguem!

- Okay... alias, vai rolar a cervejinha qualquer hora dessas né?

- Vai logo, depois nos falamos.

Frederico abriu a porta do corredor traseiro do prédio, pois pensava ter escutado Juliano em apuros, ele seguiu e encontrou ele parado em frente a um grupo de zumbis queimados.

- Voce está bem?

- Estou, mas precisamos sair daqui, os outros andares estão tomados por zumbis.

- Tudo bem mas errg... como esses ai estão queimados?

- eles estavam pegando fogo o outro andar está com um pequeno incêndio.

-Sério? nem tem fumaça... ah, nem importa, Marcos, Maria e Anderson estão na outra sala esperando, vamos avisar eles do perigo e ir embora.